Resumo
Durante o período Edo, em uma certa noite, um homem apareceu na frente de uma barraca de sobá.
"Ei, sobá!"
"Ei! Seja bem-vindo!"
"Está frio. Em dias como este, não há nada melhor do que algo quente para aquecer o corpo. Vou pedir um shippoku."
Enquanto comia o sobá, o homem conversava várias coisas com o vendedor. "Como estão os negócios?"
"Não estão muito bons."
"É mesmo? Que bom. Quando a sorte é boa, a sorte ruim vem atrás. O mundo é assim."
O homem, aproveitando ainda mais o sobá, elogia os hashis e a tigela. "Essa é uma boa tigela. O conteúdo parece delicioso."
Depois de acabar de comer, chegou a hora de pagar. "Quanto é?"
"Bem, com recheio, é dezesseis mon."
"Estou com moedas pequenas. Vou colocar na sua mão, então, estenda a mão."
O homem começa a contar lentamente. "Hi-, fu-, mi-, yo-, itsu-, mu-, na-, ya-, que horas são?"
"Ah, nove horas."
"Dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis... então, tchau."
O homem se foi.
Outro homem que observava murmurou: "Aquele cara falou muito. Não consegue comer sobá sem ficar tagarelando?"
Ele suspeita do cálculo do homem. "Por que ele perguntou a hora no meio da conta? Isso é realmente estranho. Será que ele tentou enganar e ficou com um mon a mais?"
No dia seguinte, outro homem vai à mesma sobaria. "Ei, sobá. Que frio. Vou pedir um shippoku."
O proprietário da sobaria diz: "Hoje está mais quente."
"É mesmo? Ontem estava frio."
Enquanto conversam, o homem imita o homem da noite anterior e começa a tagarelar.
"Quando a sorte é boa, a sorte ruim vem atrás. O mundo é assim."
"É verdade."
"Ah, que lindo nome de loja. Esta noite vou ganhar algum dinheiro."
O homem espera que o sobá chegue. "Certo, chegou. Ah, hashis. Boa tigela, mas está cheia de rachaduras."
Ele começa a comer enquanto reclama. "Ei, quanto é?"
"Bem, com recheio, é dezesseis mon."
"Estou com moedas pequenas."
Ele começa a contar novamente. "Era dezesseis mon, não era? Hi-, fu-, mi-, yo-, itsu-, mu-, na-, ya-, que horas são?"
"Ah, quatro horas."
"O que? Estou pagando a mais!"
O homem percebe e fica irritado. "Que cara esperto!" pensou ele.
Assim, entre os moradores de Edo, surgiu mais uma maneira de escapar sem pagar a conta.










