Dividir ao Meio

2025/3/26

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Resumo

Numa tarde em que o céu estava cinzento, Helena estava fazendo suas compras habituais no supermercado da vizinhança. Enquanto enchia o carrinho com mais itens do que o necessário e se perdia em dúvidas sobre o que comprar, ouviu uma voz suave vindo por trás: "Vamos dividir ao meio?" Ao se virar, encontrou Verena, com um sorriso acolhedor, parada ali. Apesar de sentir surpresa e hesitação, o coração de Helena se acalmou e ela aceitou a proposta, mesmo que de forma um tanto relutante.

A partir daquele dia, as duas passaram a adotar o estranho hábito de dividir ao meio até mesmo o pão, as frutas e, ocasionalmente, produtos de uso diário. Parecia que, ao partilhar qualquer coisa em duas partes, a distância entre elas se encurtava. Segredos revelados nas conversas e as sombras dos dias passados foram cuidadosamente divididos, criando uma conexão delicada entre elas.

Em certo momento, o cuidado de um pequeno papagaio voltou a ser tema de conversa. Decidiram revezar-se no cuidado do pássaro de estimação. Entretanto, o papagaio se mostrou diferente do comum, exibindo um brilho assimétrico em suas asas e a peculiar habilidade de imitar as vozes de ambas. No início, sua fofura rendia risos, mas, com o tempo, o comportamento do pássaro passou a transmitir uma aura enigmática.

Numa manhã, enquanto Helena cuidava do papagaio como de costume, ele de repente abriu sozinho a porta da gaiola e alçou voo com vigor. Aterrorizadas, Helena e Verena partiram em uma busca frenética e, finalmente, o encontraram nos terrenos de um antigo santuário, localizado na extremidade de uma rua comercial. No recinto do santuário, havia uma estátua curiosa esculpida apenas até a metade e um pedaço de papel com inscrições misteriosas: "Tudo se une de metades para formar um. O momento em que vocês também se unirão está próximo."

Chocadas, as duas refletiram sobre o verdadeiro significado de "dividir ao meio". Talvez, ao partilhar igualmente o que possuíam, não estivessem fomentando a separação, mas sim anunciando o prenúncio de uma verdadeira união. Helena e Verena decidiram reavaliar seus hábitos e se comprometeram a compartilhar, sem reservas, todas as emoções e memórias que até então mantinham ocultas.

Nesse instante, um suave bater de asas soou por trás delas. Ao se virar, encontraram o papagaio que havia fugido momentos antes. Desta vez, sem hesitar, o pássaro retornou aos seus braços. O retorno do papagaio não foi mera coincidência, mas a última revelação destinada a elas. Assim, Helena e Verena deram um novo passo, unindo suas metades para formar um todo. A curiosa e calorosa história chegou ao seu fim silenciosamente, no exato instante em que seus corações se uniram por completo.


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