Visita ao Túmulo

2025/3/26

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Resumo

Carlos, que outrora se afundava no álcool e em jogos de azar, vivia dias sendo perseguido por cobradores de dívidas.

Numa noite chuvosa, enquanto vagava pela cidade enevoada, ele encontrou casualmente um velho adivinho num beco. O adivinho, fixando o olhar, declarou: "Você não tem visitado o túmulo há algum tempo. Seu pai está chamando por você."

Essas palavras, aos ouvidos de um bêbado, soaram como um sussurro sinistro vindo de longe. Em seguida, o adivinho continuou em voz baixa: "Cuidado com o que colide com você. Isso poderá ser o que o salvará."

Naquele instante, Carlos riu como se fosse apenas um bêbado, mas o destino já lançava sombras misteriosas ao seu redor.

A partir do dia seguinte, placas de rua, bicicletas passando e até pequenas pedras rolando aos seus pés começaram a colidir com ele uma após a outra. Diante dessa sucessão de coincidências, Carlos começou a perceber gradualmente o peso das palavras do adivinho.

Um dia, decidido a enfrentar o passado que guardava em seu coração, Carlos dirigiu-se ao cemitério onde seu pai repousava. No silêncio formado por lápides cobertas de musgo, o suave sussurro da voz de seu pai, levado pelo vento, abalou seu coração. De repente, um velho fragmento de pedra caiu aos seus pés, colidindo violentamente contra ele. Esse impacto serviu como uma revelação, fazendo-o recordar os pecados e a tristeza que evitara por tanto tempo, assim como o amor silencioso de seu pai.

Determinadamente, ao retornar para casa, Carlos sentiu uma sensação reconfortante em seu peito. Isso era a prova de que a profecia do adivinho – a 'colisão' do destino – lhe concedera a chance de reavaliar-se. Contudo, o desfecho foi inesperado. Na manhã seguinte, ao visitar o local sob uma placa na esquina, Carlos notou que o enigmático adivinho já havia desaparecido e, no fragmento de pedra que recolhera, estava gravado: "Bata em si mesmo".

Essa inscrição era uma mensagem singular, que o instava a confrontar de frente suas fraquezas e erros. Assim, Carlos percebeu que o adivinho era, na verdade, a personificação de seu próprio interior, e com lágrimas nos olhos, decidiu dar um novo passo.


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