Resumo
João, enquanto trabalhava diariamente em seu emprego de meio período, secretamente nutria um amor por Beatriz, uma universitária brilhante. Cada movimento seu despertava, no fundo de seu coração, sentimentos intensos. Contudo, Beatriz tinha um namorado rico e de personalidade forte, Tiago.
Em certo dia, Beatriz e Tiago apareceram repentinamente na loja de João. Tomando coragem para agir conforme sua admiração habitual, ele serviu a ela um bolo especial. Esse doce instante despertou a ira de Tiago, que, enfurecido, golpeou João sem piedade, fazendo-o desabar no chão, entre golpes e humilhação.
Com o corpo ferido, João seguiu o caminho para casa, entregando-se à quietude da noite enquanto mergulhava em seus pensamentos. Entretanto, ao abrir a porta, deparou-se com Beatriz, parada como se o aguardasse. Com um sorriso melancólico, ela murmurou: "Quero que me leve ao mar..."
Dominado pela confusão e por uma estranha sensação de expectativa, João partiu na manhã seguinte com Beatriz no carro, dirigindo-se a uma costa silenciosa. A praia, envolta em névoa, as ondas furiosas e o sussurro do vento na quietude permeavam seu coração como se tudo fosse um sonho, muito além da realidade.
Ao chegarem à beira-mar, os dois se depararam com a paisagem. Beatriz acariciava suavemente a areia com os pés, num gesto que parecia ansiar pelo fim de uma longa jornada. No fundo de seu olhar, repousavam uma tristeza e segredos nunca antes sentidos, provocando em João uma sensação desconcertante.
Então, de repente, ao som do sussurro do mar, fragmentos de memória se elevaram como grãos de poeira. Foi quando João percebeu que, na fatídica noite de violência brutal, já havia sofrido ferimentos fatais e se encontrava vagando entre o real e o sonho. O sorriso de Beatriz era, na verdade, uma ilusão criada por sua própria imaginação, e seu pedido de "me leve ao mar" era o clamor de uma alma em busca de paz após a morte.
Diante das ondas que se erguiam à sua frente, a imagem de João mesclou-se com a fúria de Tiago, conduzindo-o a uma verdade devastadora. Todo o amor e ódio, a dor e o doce consolo que havia experimentado não eram deste mundo; eram apenas a última fantasia do espírito que se tornou fantasma após a sua partida deste plano.
Como desfecho, João foi absorvido pela serenidade do mar e desapareceu. Sem jamais despertar, sua alma transformou-se em eterna ilusão, condenada a vagar na fronteira entre a realidade e o sonho. Assim, tudo retornou a ele, ironicamente, na forma de um único "presente".

















































