Resumo
Miguel, uma semana após a morte de sua mãe, carregava consigo a sensação de uma atmosfera macabra que pairava pela casa enquanto se dirigia à mesa de jantar.
Na mesa de jantar, uma tensão estranha e fora do comum prevalecia. O pai, desprovido da ternura de outrora, salpicava os vegetais com uma quantidade exagerada de sal, lançando um olhar gélido. Sob a severa ordem de "Não fale", Miguel não teve outra escolha senão obedecer.
Durante aquela refeição que mais se assemelhava a um ritual, Miguel atentava para os suspiros do pai e seus murmúrios quase imperceptíveis. Num instante, a iluminação da sala se apagou, e assim que se reacendeu, o pai murmurou abruptamente: "Eu estava esperando."
No centro da mesa, surgiu uma sombra tênue que flutuava suavemente. Aquela sombra era a imagem exata da mãe, que jamais deveria retornar. Com lágrimas contidas, o pai revelou o antigo ritual proibido, transmitido de geração em geração. Esse ritual, destinado a receber a mãe, era também uma maldição destinada a aprisionar a família em trevas eternas.
A verdade era que o pai não havia sucumbido à loucura, mas sim que sua ação era um ato do destino, nascido da profunda desesperança e de um amor intenso. Entretanto, o preço foi demasiado alto, enquanto os cristais de sal pareciam selar silenciosamente os laços familiares. Com voz trêmula, Miguel murmurou: "Assim, a mãe jamais retornará" — e naquela noite, a mesa que parou a respiração ficou envolta em uma eterna tristeza.

















































