Trem de Comutador

2025/3/26

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Resumo

João Santos, como de costume, dirigiu-se à estação pela manhã e embarcou no trem para o trabalho, que aguardava em um pátio pouco iluminado. No início, ele pensava que tudo fazia parte de sua rotina familiar. Contudo, durante a viagem, de repente percebeu que a paisagem do lado de fora da janela mudara num instante, e quando notou, os letreiros em frente à estação e as ruas da cidade pareciam, de forma sutil, diferentes do ano anterior.

Com o aumento das dúvidas, um dia ele encontrou, no mesmo trem, um idoso enigmático. O idoso falou calmamente: "Você está preso em uma armadilha do tempo. Este vagão, em que um ano se escoa a cada viagem, é um espelho que reflete o passado e o futuro que você esqueceu, e, ao mesmo tempo, uma jaula que mantém sua alma à deriva." Ao ouvir essas palavras, algo em seu coração estremeceu profundamente.

A cada nova viagem, ele sofria com a sensação de que suas memórias e sua própria existência se desgastavam. Dentro do trem, podia ouvir os risos distantes de crianças, fragmentos de conversas antigas e pedaços esquecidos de memórias que surgiam intermitentemente, trazendo à tona seu passado. Numa certa manhã, ao adentrar a plataforma, deparou-se com um panfleto exibindo uma foto sua na juventude. Ao lado da foto, em letras miúdas, estava escrito: "Você é apenas uma ilusão de existência."

Em meio ao choque e à confusão, decidido a descobrir a verdade, João Santos embarcou novamente no trem no horário habitual e partiu. As luzes do vagão tremeluziam suavemente, criando uma atmosfera misteriosa, como se o passado e o futuro se encontrassem. Logo, o condutor anunciou calmamente: "Sr. Santos, as portas da realidade estão prestes a fechar." Nesse instante, ele baixou o olhar para a janela, onde sua própria imagem surgiu refletida. O que se via era uma sombra exausta, à beira de desaparecer, como se os vestígios de sua antiga identidade tivessem se apagado completamente.

Então, no último dia de viagem, João Santos decidiu dirigir-se à saída. Diante dele, na plataforma, pendia num canto sombrio um velho cartaz. Nele, junto a um sorriso já sem brilho de sua juventude, estava escrito, em letras finas: "Você só podia viver dentro deste trem." Naquele instante, tudo se tornou claro. A cada viagem, enquanto um ano se perdia, até mesmo a essência de sua própria existência se desvanecia, como um sonho eterno.

A vida cotidiana, que antes parecia real, revelou-se mera miragem, e o trem para o trabalho não passava de uma jaula onde sua alma perdida vagava eternamente. Na plataforma, já não restava mais a sua presença calorosa. Quando o trem partiu com um estrondo, a figura de João Santos foi gradualmente se desvanecendo, até desaparecer por completo. A partir daquele dia, ele passou a existir apenas como um passageiro fantasma, correndo eternamente pelos interstícios do tempo.


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