Resumo
O Sabor do Medo
Era uma vez uma pequena aldeia cercada por florestas densas e nebulosas. Os habitantes eram conhecidos por sua hospitalidade, mas havia uma regra não escrita: nunca se aventurar na floresta ao entardecer. Diziam que criaturas sombrias perambulavam por entre as árvores, à espera de almas perdidas.
Certa noite, um jovem chamado Miguel, faminto e curioso, decidiu ignorar os avisos. A sua barriga roncava e, ao olhar para a floresta, ele se lembrou das histórias sobre uma refeição mágica que poderia ser encontrada no coração da mata. Com a esperança de saciar sua fome, ele entrou na floresta, atraído por um cheiro inusitadamente saboroso.
Enquanto caminhava, Miguel logo se sentiu perdido. A escuridão o envolvia, e o cheiro que o guiara tornara-se cada vez mais forte. Ele finalmente encontrou uma clareira onde uma mesa estava posta, adornada com pratos repletos de iguarias. Com a barriga vazia, não hesitou em se servir. A comida parecia deliciosa, e, naquele estado de fome, tudo era irresistível.
No entanto, conforme devorava a refeição, Miguel começou a ouvir sussurros. As vozes pareciam rir dele. "Pobre rapaz, você come o que não deve", ecoavam pelo ar. O jovem, percebendo que algo estava terrivelmente errado, olhou para os rostos que emergiam das sombras ao redor da mesa. Eram os espíritos dos antigos habitantes da aldeia, que haviam desaparecido na floresta em busca de saciar sua fome. Compreendeu então que, embora a comida fosse saborosa, ela era feita de algo muito mais sombrio do que ele imaginara. Em um instante, a compreensão frígida tomou conta dele, e, ao olhar para os pratos, viu que a verdadeira refeição era ele mesmo...













